O que você vai ser quando você morrer?

Se uma árvore cair no meio de uma floresta e não houver ninguém lá pra ouvir, ela faz barulho?

Se não há registros ou memórias do seu tatatatataravô, ele realmente existiu?

Você pode até não saber quem foram Parkinson e Halley, mas estas são pessoas imortalizadas e notórias para a humanidade. James Parkinson nasceu em 1730 e foi o “descobridor” de um mal que afeta o sistema nervoso. Edmond Halley foi um astrônomo britânico do século 16 que previu o retorno de um cometa. Apesar de tanto tempo ter se passado desde os seus nascimentos, a vida dessas duas personalidades se mantém vivas e com pouca pesquisa podemos saber um pouco sobre elas.

Agora, caso o seu tatatatataravô não tenha descoberto nenhuma doença ou previsto o retorno de um cometa, será que realmente podemos afirmar que você teve um tatatatataravô? Ele realmente existiu?

Em um passado bem recente, pessoas comuns tiveram como destino o total esquecimento, um triste fim, um eterno anonimato enterrado num poço de indigentes.

Recentemente vi uma exposição chamada Subversões do Tempo, onde fotos antigas e abandonadas, pertences que não tinham mais nenhum vínculo emocional com qualquer pessoa que hoje esteja viva, receberam uma releitura da artista e estimulava os visitantes a pensar sobre quem estava naquelas fotografias. Era como se essas pessoas tivessem morrido duplamente. Primeiro a morte natural, do corpo. A segunda, ainda mais triste, na memória das pessoas, onde todo o vínculo é perdido.

Eu e você (in)felizmente não teremos esse luxo. Nós vivemos em uma nova época, onde existe uma coisa chamada rede. E a rede não esquece. Tudo o que você diz, gosta e registra ficará pra sempre guardado em algum servidor obscuro, escondido e mofado, mas ainda acessível a todos. Diferente de nossos antepassados que tiveram sua memória consumida pelo tempo, a nossa passagem por esse mundo será eterna. Basta que tenhamos um login em qualquer rede social ou serviço de e-mail. Hoje a sua linha do tempo está exposta para todo o sempre.

E não precisamos avançar tanto para os próximos anos para perceber essa mudança. Quem não conhece alguma pessoa que já faleceu, mas na rede continua viva? Você visita o perfil dessa pessoa no Facebook ou Orkut, e ela ainda está lá, sorridente, com suas comunidades, músicas favoritas e suas opiniões sobre o dia a dia que ele vivenciou.

E você já pensou que o mesmo vai acontecer com você?

Eu ainda não encontrei um adjetivo que traduza meu sentimento em relação a essa “imortalidade”. Não sei se é uma situação triste ou cômica, bizarra ou normal. Mas sei que preciso encarar os fatos e aprender a lidar com isso. Por que até posso não dar nome a um cometa ou descobrir uma doença, mas ainda assim serei importante para pessoas que estão por vir. Principalmente para as minhas futuras gerações. E por isso me preocupo em ser uma pessoa cada vez melhor e ficar com a consciência tranquila, sabendo que estou sendo um bom exemplo para os meus tatatatataranetos.

(Olá amigo do futuro. Se por algum motivo você chegou a esse texto, espero que você esteja vivendo em mundo melhor, numa sociedade mais equilibrada e menos desigual. Que todos tenham virado vegetarianos e que alguma decisão em relação ao Muro da Mauá já tenha sido tomada.)

Rafael RODRIGUES

31 anos | Publicitáriorafael@aquiris.com.br

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OS PATROCINADORES DO BBB E OS INCIDENTES NA “CASA”

Quem levantou a lebre foi Rodney Nascimento, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Cásper Líbero, que se manifestou à respeito no Portal Terra.

Aquele professor disse que o possível “estupro” (juridicamente eu afirmo: a hipótese de estupro ali não está bem caracterizada) ocorrido durante o Big Brother Brasil 12 pode acabar sendo prejudicial à imagem das Empresas que patrocinam o Programa. Disse, ainda, que em contrapartida o episódio poderá ser benéfico à audiência, que irá esperar o desfecho do caso.

Eu acho que mesmo com a saída do brother Daniel (independente dele ser negro, judeu, nordestino ou marciano), na esfera jurídica ainda vem muita coisa por aí sobre o assunto e que, possivelmente, a gente nem vá ficar sabendo porque talvez acabe não vindo a público. Não creio muito no sucesso de uma medida judicial de “reintegração” de Daniel ao Programa. O BBB é um “jogo” privado e as regras quem faz e dispõe livremente sobre elas é quem o cria. Duvido que não haja um documento assinado pelos participantes do BBB estabelecendo algo desse tipo.

Faço um comparativo. Deixando claro, antes, que o BBB não é o mesmo que uma promoção de distribuição de prêmios. É apenas uma comparação.

Os regulamentos de promoções de distribuição de prêmios (promovendo uma marca; produto ou serviço), por exemplo, são regidos por uma Legislação própria que manda garantir igualdade entre os participantes. Geralmente são autorizados pela CEF ou pela SEAE, dependendo de cada caso. Essa Legislação determina, apenas, que a todos os participantes sejam dadas condições iguais de participação.

O resto das regras é determinado pelo próprio regulamento que a marca ou produto que promover a distribuição de prêmios elaborar. Ou seja, é de livre disposição de quem lançar a promoção. O que acontece com o BBB é semelhante.

A diferença é a de que a Rede Globo é quem seleciona, previamente, os participantes, segundo seus próprios critérios. Numa distribuição de prêmios, o critério geralmente é “comprar o produto X”. Nesse último caso, quem comprou o produto (e mandou o rótulo, ou escreveu uma frase, ou jogou um game online, etc…), participa.

Tal como acontece no BBB, na distribuição de prêmios a todos os que compraram o produto terá de ser dada a igualdade de participação. Ainda assim desde que essa pessoa não infrinja as regras.

O sujeito não pode participar com um rótulo falsificado; ou acessar o site da promoção e votar em si mesmo quinhentas vezes, etc. Resumindo: não pode fraudar e nem participar com artifícios e manobras ilegais ou antiéticos. Caso contrário, será desclassificado.

O que aconteceu com o participante do BBB 12, aparentemente, foi isso. Ele infringiu as regras. Eu sou um dos espectadores brasileiros que acham que a TV precisa de coisas melhores e mais inteligentes do que o BBB. Não assisto, não gosto, não concordo com o Programa. Portanto, no meu entender as regras do Programa, sejam quais forem, me parecem um tanto discutíveis ou;  no mínimo, de gosto absolutamente duvidoso. Mas gosto é gosto. Se ninguém me obriga (mesmo!) a gostar de música sertaneja ou pagode; caso eu vá a uma casa noturna onde só toca esse tipo de músicas, vou ter de me submeter a elas. São as regras.

Dito isso, não vejo possibilidade do Daniel ser “reintegrado à casa do BBB” por força de uma medida judicial. Seria a imposição, por um juiz, ao particular (a Rede Globo), de regras externas ao que ela criou (ou comprou do Exterior), produziu e paga.

Mas volto à opinião de Rodney Nascimento, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Cásper Líbero.

Ele diz que os patrocinadores, ao pagarem para veicular seus respectivos nomes junto com o Big Brother, assumem o risco disso, já que nem tudo o que acontece está no controle da emissora, embora exista uma direção. “Vale lembrar que por mais que o programa seja dirigido, sempre sai algo, senão não seria reality show, seria outra coisa”, disse o professor ao Portal Terra.

Ainda segundo Rodney Nascimento, no Terra, as empresas, se não têm, deveriam ter o cuidado de, ao estabelecer um contrato de publicidade com programas como este, inserir cláusulas que as previnam de riscos como o que ocorreu (independente da veracidade dos fatos).

Já elaborei centenas de contratos – e de todas as formas possíveis – envolvendo Publicidade (de patrocínio ou até de cessão de direitos de artistas e modelos para marcas conhecidas, algumas que veicularam e veiculam até no próprio Big Brother). E afirmo que marcas e empresas que patrocinam alguém (seja uma pessoa, seja um programa) dificilmente não incluem, nos seus contratos, cláusulas prevendo que o patrocinado não deva “avacalhar”, publicamente, essa marca ou se portar de maneira não-condizente com o que o patrocinador espera ao associar a sua imagem comercial a um negócio desses. E negócio em todos os sentidos.

É claro que é mais fácil isso constar de um contrato de patrocínio (ou uso de imagem) de um modelo ou artista do que do contrato com um programa de televisão, que abriga não apenas uma pessoa, mas uma coletividade. É mais fácil controlar a conduta de uma pessoa do que controlar a conduta de um grupo de pessoas até então anônimas; deslumbradas com a possibilidade da fama diante de milhões de espectadores; comendo; bebendo; brincando, tomando banho de piscina e desfilando quase peladas. Ou seja, sendo estimulados durante 24 horas por dia a “ficar de boa”, se é que você me entende.

O professor da Casper Líbero prevê que já a partir do próximo ano sejam necessárias mudanças nos contratos de publicidade, com iniciativa, inclusive, da própria Rede Globo. “Isso vai ser um fator preponderante em relação a querer patrocinar ou não. Alguma coisa a Globo vai ter que incluir como cláusula para evitar o desgaste da marca”, ele disse ao Terra, sem apontar que tipo de cláusula seria essa.

Eu sei que cláusulas são essas. E elas são relativamente simples sob o ponto de vista jurídico. Mas serviriam para tornar o BBB “menos interessante” aos olhos da população que, ávida, o consome. Basta regular, por elas, o uso de bebida alcoólica, de cenas “sexuais” e de eventuais “baixarias” de um modo geral. Quem sabe filtrando o que chega ao vídeo na TV aberta (mantendo-se isso, ou não, no pay per view). O que implicaria na já tão criticada edição do programa e aqueles que o assistem não querem edição alguma. Resultado: a indesejada redução da audiência.

É uma “faca de dois legumes” também para os patrocinadores, já que diminuindo a audiência, as marcas que lá estão passam a ser menos vistas pelos espectadores. No fundo, no fundo, com ou sem as permissividades atuais do Big Brother, o risco (de todos os envolvidos) é óbvia e altamente calculado.

Roberto SCHULTZ

46 anos | Advogado | rsconsultoria@terra.com.br

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Quanto vale uma calça jeans?

Bom, eu não sou consumista, mas já paguei R$ 170,00 por uma calça, o que acho tri caro.

Porém, depois de ler um texto de uma colega de profissão, a Relações Públicas Roberta Souza e Silva, vou com certeza, a cada lavada de roupa,  ficar imaginando o quanto estaria, num todo, gastando com uma calça. Mas também, me empolgo com o fato explícito no texto de que as pessoas estão pelo menos tendo cada vez mais acesso a algumas informações, o que eu também posso contribuir e fazer. Então vamos ao compartilhamento:

“Quando compramos um par de calças jeans, ele está ‘carregando’ 11 mil litros de água, desde o processo de cultivo do algodão até chegar à loja. Só para ter uma noção: 11mil litros de água é o equivalente à capacidade de um caminhão – pipa.

A revista Vida Simples do mês de dezembro - vale a dica para quem curte o tema – mostra esses números que, por si só, são um alerta quando pensamos que a calça jeans faz parte da vida de milhões de pessoas. É algo que não se quer acreditar ou pelo menos, nunca pensamos nisso. Quando lavamos uma (essa mesma) calça jeans temos a ideia de que são necessários 21 litros de água? Claro que não! E que isso poderia hidratar e manter uma pessoa durante todo um dia?

Esse é um exemplo de uma simples peça feita para durar, a priori, muito tempo (eu ainda consigo usar uma calça do tempo de colégio – a Mãe Natureza agradece). Em outros bens de consumo não duráveis, como o celular, os números podem ser ainda mais impressionantes. O quanto comprometem a sustentabilidade social e ambiental? Fico imaginando quantas pessoas empregadas a preço de mão de obra barata e o impacto ambiental desse processo, tudo para nos aprisionar numa vida de consumos.

Nossa visão sempre foi, até então, limitada. Somos acostumados a enxergar o produto desejado com uma finalidade única: matar a nossa sede de consumo e/ou nos deixar mais bonitos, ou mais poderosos, ou ter mais status.

Psicologia do consumidor à parte, o tema sustentabilidade provoca com que pensemos não apenas no objeto em si, mas em todo o seu ciclo produtivo: cultivo da matéria-prima, fabricação, transporte, o uso do bem até o seu descarte. Outra coisa que li, muito interessante, que nunca pensamos: se o produto diz ‘reciclado’, achamos que estamos fazendo grande coisa em comprá-lo, mas e o seu descarte? Também faz parte do processo e depende de nós. Aí sim o produto será considerado reciclado (veja como a sustentabilidade pressupõe a atitude correta de todos em prol de algo maior).

É claro que não serei idealista a ponto de defender o não consumo, até porque faz parte da vida, das vontades e da forma como aprendemos a lidar com o mundo. O que observo e o que leio à respeito é que, pela primeira vez, nos interessamos e há informação pronta para nos ajudar, de como podemos compensar ou usar de modo mais correto os nossos bens de consumo. A sua calça jeans, por exemplo, o ideal é que se lave uma vez a cada duas semanas. Ah, e depois quando não for mais útil, doe.

A sustentabilidade parece mais próxima da realidade, – e mais distante da utopia -, quando conseguimos visualizar na vida a forma como podemos contribuir. Para a prática ser efetiva, o entendimento e a racionalização de todo o processo é fundamental. Vejo que o mundo da informação conspira para que estejamos mais conscientes e prontos para agir, mesmo que seja através de atitudes muito simples, como cuidar bem do que é da gente. Isso também é sustentabilidade.”

* Roberta Souza e Silva- Texto publicado na Gazeta do Sul em dez/2011.

Cíntia ANTON

23 anos | Relações Públicas | cintiaanton@hotmail.com

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Cidade Baixa

Esses tempos minha banda foi convidada pra tocar num bar da Cidade Baixa, chamado Batemacumba. O show foi adiado, graças às normativas instaladas na região, onde nenhum bar pode funcionar após a meia noite. A apresentação foi transferida para a semana posterior, no bar Insano, também na “CB”.

Confesso que achei estranho o pacote de mudanças no lugar. Pensei no lado do morador, no do comerciante, dono do bar, pensei no futuro da cidade, afinal, há anos a Cidade Baixa tem sido referência para encontros em Porto Alegre. Algumas semanas atrás recebi um parente vindo de Florianópolis que sempre ouvia falar da Cidade Baixa e queria muito conhecer. Pensei sobre o que isso impactaria na vida do resto dos moradores da cidade. Entendi um pouco mais quando posteriormente ouvi relatos sobre  os policias entrando nos bares com fuzis, ou fortemente armados. Eu mesmo avistei alguns pela região. Foi então  que eu assimilei o caráter da missão da polícia: transformar um tumultinho de moradores e comerciantes numa bela ação de marketing, onde a polícia pode mostrar sua capacidade de restaurar a ordem numa região onde todos podem assistir.

Sabemos que a violência está em todo o lugar, mas as ações para evitar os infortúnios são insuficientes. Eu penso no que aconteceria se o dono de um bar se recusasse a fechar o estabelecimento. A polícia usaria os fuzis? É realmente necessária toda essa sinergia em cima de um problema deste porte?

Os responsáveis pelo que motivou essa história toda: algumas pessoas que vão para a Cidade Baixa realmente para tumultuar, e a violência que se forma na região. Mas tudo isso acontece por quê? Acredito que por falta de polícia e de cultura. Aí está o paradoxo. A Cidade Baixa é o maior ponto de cultura na noite de Porto Alegre. Parece um roteiro do Lost, mas é isso mesmo, a polícia ajuda a manter a Cidade Baixa parada (calando a cultura), enquanto deixa moradores de lá felizes. E a violência que antes havia ali, procura e acha novos guetos noturnos, onde a polícia não está. Afinal com o contingente que está na Cidade Baixa fica difícil achar um policial em outro canto movimentado da cidade.
A Copa do Mundo tende a enriquecer um pouco mais a cidade, no que se refere a turismo. Agora pense se você fosse o turista, o que você gostaria de conhecer da cidade? Os prédios que provavelmente sua cidade tem melhores? Os parques, que quase toda cidade tem? Ou os hábitos locais de diversão dos moradores?

Pensando assim me oponho completamente ao circo criado em torno da Cidade Baixa, que parece estar sendo ignorada por todos e promovida por poucos.

Nunca fui um grande frequentador da região. Mas considero um patrimônio cultural e em tempos de cultura rala e fragilidade da opinião pública, a Cidade Baixa corre o risco de ser história antiga da capital. Sem generalizar, a “CB” pode ser calada por velhos moralistas, punks de vila, governo e prefeitura inúteis e uma polícia tipicamente bunda de relógio, que serve apenas pra cumprir horários e preencher relatórios de garotos fumando maconha nas praças, exatamente como se imagina de cargos do serviço público.

Bato na tecla da oposição total aos palcos que fecham em Porto Alegre, Viamão ou em qualquer cidade. Quando não houver mais artistas ou expressão seremos todos reféns do caos.

Ricardo LILJA

31 anos | Publicitário| ricardo.lilja@gmail.com

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Não é a gota d’água

Até nem muito tempo atrás, havia um bom número de pessoas que não tinham a menor ideia do que se tratava UFC. Sabiam que o assunto estava no ar, mas não queriam saber de luta e de toda essa coisa violenta. Mas foi a Globo anunciar a transmissão de um dos combates que esse público, até então avesso, resolveu parar para assistir e acompanhar mais de perto. Só por curiosidade. Só pra saber o que o Wallace, personagem da novela faz. Só pra ouvir as gafes do Galvão. Mas pararam.

Isso é culpa da Globo? Acho que não. Na verdade, um parênteses, não faço parte da legião que acha que a Rede Globo haja de maneira conspiratória e manipuladora de pessoas. Trabalho já faz 3 anos em projetos com a empresa, e convivo com algumas da pessoas mais humanas que já conheci e que fazem parte do alto escalão da empresa. Sinceramente não consigo imaginar essas pessoas fazendo rituais satânicos para mandar no mundo. Apenas acho que a Globo possui interesses comercias tal qual a padaria da esquina. Se o pãozinho da Globo agrada as pessoas, melhor pra ela. Fecha parênteses, um dia voltamos nesse assunto, por que acho que ele rende.

Mas todo esse papo foi só pra falar de um outro assunto. Só queria antes mostrar como as pessoas se deixam influenciar muito facilmente quando utilizados os recursos corretos. Inclusive você. Quer ver? Você deu share naquele vídeo da Belo Monte? Então*.

A onda do momento na web, a boa ação do dia, a causa redentora da humanidade da semana e salvadora do mundo nesse mês consiste em odiar o projeto Belo Monte, e, principalmente, dar share no vídeo em que a Maitê Proença ameaça mostrar os peitos. Tem Globo ali? Não, mas tem globais. E aí um assunto que está há 15 anos em discussão ganhou relevância.

Quem não entende nada de UFC, agora é especialista, e quem nunca deu bola pra Belo Monte, agora odeia o projeto do fundo da alma e sabe tudo de produção de energia.

A questão toda, pra mim, não é gostar ou odiar Belo Monte. Eu pelo menos não tenho opinião formada pra isso. Meu conhecimento é tão raso quanto provavelmente é o seu. Mas o que eu não quero é ter a sensação de que a minha ideia foi formada por causa de um vídeo, que, óbvio, é tendencioso e com posição bem definida sobre o assunto. Assim como os vídeos de resposta, pró-Belo Monte também são.

Eu na verdade tenho uma opinião formada sobre essas grandes causas e minha ação frente a elas. Acredito que possa até ser acusado de covardia, indiferença, imperialista. Não sei. Mas eu já pensei demais sobre esse tipo de assunto, e por mais que eu tente, cheguei à conclusão de que eu não vou conseguir fazer a grande diferença. É claro que me escandalizo com corrupções, e me preocupo com a poluição no mundo. Mas não achei, até hoje, como lutar por essas causas.

Eu desisti do Macro. Hoje em dia eu peno no Micro.

Ou seja, penso no que está na minha volta e naquilo que posso ajudar e está no meu alcance. Não tenho certeza de que seja a melhor atitude, mas é o que faço. São coisas simples, como cuidar de bichos de rua, participar de eventos do bairro pra ajudar crianças, fazer doações pra instituições próximas e conhecidas.

Parece muito pouco ou quase nada frente aos problemas do mundo. À fome da África. Aos abusos infantis nos países em guerrilhas. Às guerras do oriente médio. À Usina de Belo Monte. Mas isso me alivia a sensação de impotência. Mas o melhor é a sensação que me causa a cada “obrigado” de uma criança, ou do ver rabo balançando de alegria quando um cachorrinho é salvo. É algo muito, mas muito mais gratificante do que quando eu simplesmente dou Share em alguma mensagem no Facebook, achando que assim vou salvar o mundo.

Os problemas estão na nossa volta. Você não precisa que a sua opinião seja formada por outros pra saber quais são as causas que vocês deve adotar pra melhorar o mundo a sua volta.

—-
*Ok, eu sei que nem todo mundo deu share no vídeo. Mas eu precisava fazer meu ponto valer.

Rafael RODRIGUES

31 anos | Publicitário| rafael@aquiris.com.br

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Ele é o cara

A humanidade vive em constante evolução, passamos por diversos ciclos e fases que fazem com que caminhemos cada vez mais em direção ao futuro. Historicamente, o homem só percebe os ciclos transcorridos após serem completados. Porém, podemos estar vivendo uma nova transformação, um modelo que vemos hoje, diante dos nossos olhos, pode ser o adotado como regra. Vou falar de um homem que escreveu uma parte da história da televisão brasileira e pode estar nos mostrando como será o futuro, Silvio Santos. Sim, ele mesmo. Muitos devem estar pensando em parar de ler, em como um “velho ‘gagá’” que faz palhaçadas para ganhar audiência pode escrever o futuro das telecomunicações no Brasil. Calma, eu te peço apenas um pouco mais de cinco minutos, leia até o final e tire suas próprias conclusões.

Não vou perder tempo lembrando o passado de Silvio Santos, todos conhecem muito bem. Nem quero voltar e falar sobre como criou o SBT, obteve sua fortuna e exerce uma influência invejável sobre muitos brasileiros. Quero falar de algumas particularidades, que às vezes passam despercebidas, mas é o que realmente faz a diferença e pode ser agente de transformação do que hoje entendemos por televisão.

Silvio Santos é famoso por trazer programas da “gringa” para o Brasil, mas sem querer, ou planejado, não sei, ele acaba adotando um outro modelo que vêm de fora, o livre trânsito entre a concorrência. É quase impossível assistir um programa apresentado pelo homem do baú sem que ele fale da Globo, Record, Band, RedeTV, etc. Não necessariamente falando mal, mas tendo consciência que existem outras emissoras com programas de qualidade, que, inclusive, podem ser melhores que os seus. Por várias vezes pode-se ouvir Silvio falando para as pessoas assistirem as novelas da Globo e depois voltarem para o SBT.   Muitos acham que isso é loucura, que ele faz isso como forma de tentar uma concorrência com a Globo, mas vamos analisar outro caso, de fora do país.

Há alguns anos houve uma grande confusão envolvendo os comediantes Jay Leno, Connan O´brien, Jimmy Fallon, Jimmy Kimmel, além de grandes emissoras como NBC, ABC e TBS. Para vocês entenderem, esses caras fazem programas no estilo dos do Jô Soares e Danilo Gentili. Vamos ao caso: Jay Leno tinha um programa que passava às 23h, porém ele foi passado para às 20h, Jay, ao vivo, falou que ia passar o horário do seu programa para o Connan O´brien, que tinha um programa depois do de Jay. Então ficou assim: Jay Leno às 20h com o “Jay Leno Show”, O´brien às 22h com o “Tonight Show” e depois o “Late Show” com o Jimmy Fallon (está entendendo?). O problema se deu quando Jay Leno não deu certo no horário nobre, às 20h, e pediu para voltar ao seu antigo horário. Mas para isso, ou Conan O´brien ou Jimmy Fallon teriam que sair (para entender melhor o caso leia isso aqui). Bom, o importante da história é entender que houve uma confusão geral entre todos os comediantes do país, deixando o Jay Leno como o grande FDP americano. Mas é aí que a história começa a ficar legal, pois comediantes de TODAS as emissoras começam a fazer piadas à respeito. O próprio O´brien fez piadas em seu show, falando: “o presidente da NBC me proibiu de falar sobre o assunto. Mas ele não me proibiu de cantar”. Então ele cantou ofensas dirigidas à emissora. No grande centro da confusão, Jimmy Kimmel, da ABC, concorrente direto de Jay Leno, entrou ao vivo na NBC, NA EMISSORA CONCORRENTE, e fez piadas constrangendo Leno.

Já imaginou isso no Brasil? Alguém da Band entrando ao vivo na Globo? Impossível. Aliás, a Globo é um caso à parte nesse assunto, pois ela vive enclausurada em seu próprio mundo, onde parece não existir outras emissoras, e tudo que se produz fora do seu “padrão Globo” não é válido. Mas voltando ao nosso querido Silvio Santos, podemos citar vários exemplos, como o Troféu Imprensa, onde são premiados programas e artistas de várias outras emissoras. Também é interessante ver como ele trata a concorrência de seus produtos, como todos sabem, eu acho, ele é dono da Jequiti, e faz merchandising dos produtos da marca em seu programa, mas ao falar das representantes de vendas, ele fala sem pudor algum de outras marcas como Boticário e Natura. Silvio não desqualifica as marcas, pelo contrário, fala que as consultoras podem trabalhar para diversas marcas que isso só vai fazer melhorar a sua renda, uma ótima estratégia de marketing para a Jequiti.

Todos podem criticar o Silvio Santos e o SBT por diversos motivos, aposto que na maioria deles eu vou concordar, porém é impossível negar que Silvio é um visionário, tanto na época em que fundou o SBT, quanto agora, em que tantas emissoras concorrem com programas de qualidade. Mas uma coisa é certa, essa facilidade com que o Silvio Santos lida com seus concorrentes, e que hoje podemos ver em programas como o Pânico na TV e CQC, em poucos anos será comum em todas as emissoras do Brasil. Será que alguém vai dar o crédito ao homem do baú?

Gabriel SUMINSKI

22 anos | Publicitário | gabriel@viamaomidia.com.br

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Ignorância Ativa

“NÃO HÁ NADA TÃO TERRÍVEL QUANTO A IGNORÂNCIA ATIVA”, PRINCIPALMENTE QUANDO ISSO TOLHE OS DIREITOS À CRIATIVIDADE OU À EXPRESSÃO.

Nos tempos em que eu era empregado de alguém; e hoje não sou mais (não estou rico, mas com certeza trabalho mais tranquilo), eu trabalhava numa empresa e lá trabalhava também uma pessoa com um cargo de chefia (sócio) que exercia o seu “poder” com uma imposição e uma mão-de-ferro desmesuradas ou desproporcionais. Ignorância, era o nome daquilo.

Não sou contra a autoridade da chefia e nem dou excessivo valor a títulos acadêmicos. Pelo contrário, acredito que há momentos em que só o exercício da autoridade serve para limitar direitos e deveres, assim como – em relação a academicismos – também já vi, no tempo em que eu dava aulas, diversas cavalgaduras (ou no mínimo amebas, inertes) vestindo togas. Estou ciente de que esse mundinho acadêmico, apesar da auto-ilusão de alguns, não é exatamente o que garante “iluminação” às mentes. Há gente com quase nenhuma escolaridade que dá de dez a zero nos chamados “doutores” (e como eles se proliferam, né? Cada vez mais jovens e cada vez piores), tanto no quesito civilidade quanto no quesito sucesso na vida.

Portanto, quando eu falar daqui para a frente em ignorância não estarei me referindo nem à autoridade hierárquica e nem à ausência, numa pessoa, de títulos acadêmicos.

Explicado o contexto do que vou dizer, volto ao assunto do meu antigo emprego. Havia essa pessoa que mandava e desmandava com uma impropriedade literalmente “cavalar”, ainda que arvorando-se em pessoa de convívio social, com boa posição financeira na vida, etc.

Um dia, folheando um jornal (a Gazeta Mercantil, até hoje lembro), encontrei a frase citada entre aspas no título do presente artigo e nunca mais a esqueci: “não há nada tão terrível quanto a ignorância ativa”. Quando a li, imediatamente a associei à tal pessoa que então me chefiava por lá. No artigo de jornal no qual a li, ela era atribuída a BENEDETTO CROCE, filósofo italiano morto em 1952. Lá se vão uns 15 anos desde que li originalmente a tal frase e noutro dia voltei a encontrá-la, nessa “terra de ninguém” chamada Internet, desta vez atribuída a GOETHE. Talvez o italiano (mais contemporâneo) tenha citado o alemão. Não sei. Seja quem for o seu legítimo autor, porém, o fato é que a frase é boa e aplicável.

E tão mais aplicável porque tem servido, a ignorância ativa, para esculhambar a criatividade alheia. Tudo bem, não vamos confundir criatividade, por exemplo, com grosseria. Quando um suposto comediante de sucesso nacional (será que ser gaúcho ajudou na grossura dele?) diz, na TV, a propósito de uma cantora que está grávida, que “comeria ela e o bebê”, não estamos falando exatamente de humor e nem de criatividade. Isso tem nome e objetivo. Ambos discutíveis, mas tem.

Já o filme dos Pôneis Malditos , do comercial da NISSAN, é um exemplo de criatividade. No entanto, mais de TRINTA representações entraram contra ele no CONAR, sempre usando as crianças como “escudo”: o filme supostamente associaria figuras infantis, com a palavra “maldito”. Sempre quando surgem “denúncias de populares” como essa, eu desconfio sinceramente desses tais “populares” que denunciaram. Não seriam eles alguns concorrentes despeitados com o sucesso da NISSAN e dos seus publicitários? Curiosamente, quando vi o comercial dos Pôneis Malditos pela primeira vez, pensei “vai dar problema”. Em momento algum pensei em “má influência sobre crianças”. Pensei, sim, naquela série infantil que existia antigamente, se não estou enganado chamada Meu Querido Pônei, cuja inspiração nítida de desenhos e atitudes gerou o comercial. Só isso. Pensei em alegações de plágio. Sem concordar ou discordar. Apenas pensei nisso. As representações foram todas julgadas e arquivadas pelo CONAR.

A inveja está em toda a parte e em todas as profissões. Mas no meio publicitário, infelizmente, por mexer com egos e distribuição cada vez mais apertada de verbas, ela encontra solo fértil. E não me venha com aquela expressãozinha chamada inveja branca, inventada pela breguice das novelas da Globo. Há tempos atrás uma grande rede de moda nacional, para a qual trabalhei, lançou uma promoção. Logo em seguida, um “popular” escreveu um e-mail criticando a promoção. A empresa corrigiu os supostos “problemas” apontados. E aí chegou outro e-mail, de “outro popular”. Esse não apenas apontando “defeitos”, como oferecendo a solução: nome e telefone de uma outra agência que supostamente sabia fazer a promoção melhor do que aquela agência que a fez. Nesse tipo de inveja que denuncia o concorrente por não ter outros meios de combater a força do outro, também há um certo componente de ignorância ativa.

O caso da Gisele Bündchen no comercial da HOPE também não é uma apologia ao machismo ou uma diminuição da posição feminina. Pelo contrário, só tem a mostrar o poder que elas têm em relação a nós, homens, supostamente mais fortes em personalidade ou em ocupação de espaços, sem entrar na questão física.

Por fim, tentar calar o Google porque ele apenas localiza (mas não noticia) supostas inverdades sobre um vereador de Porto Alegre também não é o meio mais adequado de impedir a expansão da alegada calúnia. O próprio vereador, que no rádio afirmou apoiar a liberdade de expressão, pediu o arquivamento do processo. O meio mais correto é conceder ao ofendido o direito de resposta, para que ele conte a sua versão. Não no mecanismo de busca, mas no site originário, caso seja possível localizá-lo (alguns estão hospedados em outros países). Se não for possível localizá-lo, aí sim, apelar para o Google.

Seja como for, essa necessidade que as pessoas têm manifestado de contrariar o que quer que seja, pela simples necessidade de mostrar uma opinião “moderna” ou diferente, tem interferido diretamente na liberdade de comunicação e de expressão, de um modo geral. E na Publicidade e na criatividade alheias, de um modo incômodo e particular. O que pode significar que estão dando voz demais para a terrível ignorância ativa.

Roberto SCHULTZ

46 anos | Advogado | rsconsultoria@terra.com.br

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Cada um no seu posto, enquanto a mídia quiser

Desde Cidadão Kane (1941), filme americano de Orson Welles, até a biografia de Assis Chateaubriand (Chatô, o Rei do Brasil, de 1994), de Fernando Morais, a mídia, de diferentes formas, mostra seu poder de manipulação e o seu incrível valor no fortalecimento de símbolos através da persuasão da opinião pública. Esta força de forjamento é citada de maneira cômica em um filme que vi final de semana passado. Mera Coincidência (http://www.adorocinema.com/filmes/mera-coincidencia/) é um filme de 1997, dirigido por Barry Levinson, que trata do poder da telecomunicação – o que está cada vez mais em discussão na Internet, em veículos alternativos e até na grande mídia.

Foto de Assis ChatobriandCidadão Kane

Mera coincidência conta como a mídia foi usada, poucos dias antes da eleição, para inverter o cenário político da campanha eleitoral americana. Orquestrado por um produtor de Hollywood (Dustin Hoffmann), uma guerra entre os Estados Unidos e a Albânia foi forjada na televisão a fim de encobrir um escândalo sexual envolvendo o presidente americano (Michael Belson), que concorria à reeleição.

Dustin Hoffman

O fato, tratado em Mera Coincidência de maneira cômica, expõe como a mídia tem o poder de manipular e encobrir um incidente – nem que seja fantasiando algo megalomaníaco como um conflito entre dois países. Porém, não é preciso uma guerra para enganar a opinião pública. Criar a imagem de um ídolo ou apenas deixar de expor intempéries de uma figura notória – o que impede que seus interesses públicos sejam abalados – há tempos são ferramentas usadas constantemente na mídia. Claro, na maioria das vezes, de maneira mais sutil do que na história hollywoodiana. Suprimindo fatos ou inflando acontecimentos, os meios de comunicação acabam unindo a opinião pública em torno de interesses próprios. Esse poder de aglutinação é exposto pelo autor Wilson Gomes, em seu livro Transformações da Política na Era da Comunicação de Massa, de 2004:

Nesse contexto, não se espera dos consumidores da comunicação de massa uma capacidade real dereação à informação e à cultura que consomem, de forma que eles são compreendidos, então, como constituindo um público passivo e submetido aos fluxos de mensagens provenientes das esferas política e econômica mediante os meios de massa.

Dentro dessa incapacidade de união da sociedade sem o aparato midiático, figuras com históricos polêmicos e personagens comuns no desgosto do povo, como José Sarney e Ricardo Teixeira, estão blindados em seus postos. Mesmo que, comprovadamente, diversos setores compartilhem da ojeriza aos dois sabidos falastrões, é impossível uma conscientização em massa, uma discussão em grande escala do destino de ambos os políticos sem o auxílio da grande mídia. Com a ferramenta da Internet, principalmente através do uso das redes sociais, é grande a busca pela mudança desse cenário. Porém, a dependência midiática defendida por Wilson Gomes ainda é comprovada pelo ainda baixo quórum das manifestações organizadas pela rede.

O poder de convencimento da grande mídia é, cada vez mais, valorizado pelos personagens políticos. Em recente reportagem da revista Le Monde Diplomatique (ano 5, número 49, edição brasileira), apurou-se o crescente envolvimento financeiro-midiático nas eleições americanas. A política se torna um jogo de quem paga mais, de quem anuncia mais e de quem consegue um maior número de doações de campanha – provenientes, muitas vezes, dos próprios meios de comunicação que patrocinam os candidatos.

O já mencionado Ricardo Teixeira extrapola o nível das negociações obscuras com a televisão. O magnata dos esportes, presidente da Confederação Brasileira de Futebol desde 1989, concedeu uma entrevista rica em informações de suas “falcatruas” para a repórter da revista Piauí, Daniela Pinheiro (http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/figuras-do-futebol/o-presidente). Na oportunidade, Teixeira citou o exemplo do que aconteceu com a Globo quando a emissora expôs a sua imagem ligada à CPI da Nike, aberta em 2011.

Aqui um trecho da entrevista

[...] a rede levou ao ar uma reportagem no Globo Repórter sustentando que a renda de Ricardo Teixeira era incompatível com o seu patrimônio e padrão de vida. A CBF anunciou pouco depois, do nada, uma mudança no horário de transmissão de uma partida Brasil x Argentina, clássico sul-americano que costuma bater recordes de audiência. Em vez de ser exibido no horário de praxe, depois da novela das oito, o jogo foi marcado para as 19h45.

“Pegava duas novelas e o Jornal Nacional. Você sabe o que é isso?”, cochichou-me Teixeira, no Baur au Lac, quando o caso foi relembrado. Como a Globo transmitiu a partida, amargou o prejuízo de deixar de mostrar diversos anúncios no horário nobre, o mais caro da programação. A partir daí, não houve mais reportagens desagradáveis sobre o presidente da CBF na Globo.

De Charles Kane, em Cidadão Kane, passando pelo aversivo cartola Ricardo Teixeira até o presidente americano exposto em Mera Coincidência, a maneira como a mídia é usada varia: a manipulação de pautas em jornais, as falcatruas usando a Seleção Brasileira como escudo ou até mesmo a criação de um conflito entre Estados Unidos e Albânia. Independentemente da forma com que a opinião pública é controlada, a importância que a comunicação possui já está fundamentada nas entranhas das figuras públicas. No entanto, a discussão desse cenário é cada vez maior nas redes sociais e em veículos alternativos, o que, relativamente, mobiliza a sociedade. Se unido, o povo tem o poder de se manifestar e lutar contra a opressão. Porém, a união potencializada, com efeitos práticos, só é possível com o auxílio da grande mídia.

Douglas FREITAS

20 anos | Estudante de Jornalismo | douglasdeoliveirafreitas@gmail.com

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Conteúdo cheio de criatividade

Internet, um ambiente cheio de coisas novas e criativas a todo instante. Resolvi falar sobre isso no meu post depois que vi dois vídeos muito legais de um ex-colega da Unisc bombando no youtube. Virais podem ser uma ferramenta de comunicação estratégica boa, barata e criativa na busca de um melhor posicionamento e visibilidade da marca no mercado. Um bom exemplo é Eduardo e Mônica da Vivo lançado há alguns meses e que virou hit nas redes sociais, claro que esse viral deve ter tido muito custo para a produção, mas na divulgação com certeza seu custo foi pequeno.
Pois então, sempre quando assisto a virais curiosos e diferentes, penso na motivação que se teve para fazê-lo. Então eu conversei com o ex-aluno da Unisc, hoje formado em Produção em Mídia, Gibran, e criador de vários vídeos super visitados no youtube, para saber como começou esse gosto pelos virais e vídeos produzidos. Segundo ele, que sempre gostou de música, tudo começou como a maioria dos trabalhos, na faculdade ou nas brincadeiras com os amigos. O primeiro vídeo dele foi um funk da Tessália Serigheli ex-BBB, funk da @twittess – melô do #fifitififiti. Olhem aí o que o Gibran inventou:

Gibran, diz que sempre procurou fazer vídeos que estão em pauta, segundo ele “dão um buzz legal”. Depois do vídeo da Tessália, Gibran fez uma brincadeira com o novo plugue de tomada que o Brasil implantou. Segue o vídeo para quem quiser olhar: (Ele deve ter aprendido isso montando Lego!! #certo!)

Depois veio um vídeo que explorou muito a linguagem da internet, o “Funk do Mortal Kombat” . Segundo Gibran o que dá mais visualização no youtube é animais, crianças, bizarrices de uma forma geral, e esse vídeo tem muito de tudo isso, tanto que parece um spot de campanha política, não paramos de cantar depois que ouvimos. Além disso, o vídeo rendeu uma participação no programa da Eliana, nacional e de audiência.

Ainda tem o viral da Oktoberfest deste ano em Santa Cruz do Sul. Muito bem feito, criativo, com um bom roteiro e ótimo ator.

As pessoas geralmente adotam o vídeo para si quando se identificam, achando graça ou por algum interesse, e aí compartilham com seus amigos. É pensando nisso, nessa interatividade que a internet proporciona hoje, que as empresas adotam meios para fortalecer seus produtos. Basta serem empresas abertas à proposta de divulgação e que consigam encaixar um produto com o conteúdo e a proposta do Youtube. Esse foi o caso da marca Skink de salgadinho e que rendeu mais um vídeo produzido pelo Gibran.

Quero dizer que com criatividade se consegue muita coisa, às vezes pequenas empresas não tem grana para investir em grandes anúncios, campanhas e aderem a essa nova maneira de fazer comunicação, que pode ser muito mais eficaz. Para dar certo basta um estudo de público, um produto e alguém muito criativo para fazer.

Cíntia ANTON

23 anos | Relações Públicas | cintiaanton@hotmail.com

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